quinta-feira, 14 de julho de 2016

MODA AFROCENTRADA - CONVERSA DE PRETO


É importante possuir uma roupa bonita e que mostre a nossa pretitude, o orgulho de ser africano no Brasil. Nós da CONVERSA DE PRETO sabemos o quanto somos belos. Então organizamos uma grife que juntamente com tantas outras que já estão nessa caminhada oferecendo roupas afrocentradas ao nosso belíssimo povo.
Observe como são maravilhosas as nossas camisas:


Você também pode colocar a sua foto em uma camisa usando a frase:



As mulheres pretas sabem muito bem disso. São as mais belas do planeta.

E nós sabemos que a pretitude é uma benção por isso temos essa camisa para mulheres e homens :
- Se a coisa tá preta é mais bonita.



Convido-vos a conhecer alguns dos nossos lançamentos. Em breve estaremos colocando para vocês outros modelos.


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sexta-feira, 8 de julho de 2016

ESCURECENDO A TEOLOGIA





Por Walter Passos,
Historiador, Pan-africanista, Afrocentrista e Poeta


Toda religião tem um pensar teológico. Acredito que fazer teologia é explicitar o nosso compreender das divindades. O entendimento da comunidade e todos os conceitos não explicáveis tornam-se dogmas, proibidos de serem questionados ou modificados. Isso afeta a minha inteligência. Sou totalmente antidogmático. 
Desde a minha tenra infância tento entender os mistérios das religiões, os ensinamentos que aceitei e nunca os compreendi e muito menos os achei justos. Cresci preocupado com as coisas das divindades e por isso bem novo fui estudar teologia em Campinas-SP e na cidade do Rio de Janeiro. Tornei-me um defensor e propagador do calvinismo, aceitando inconteste os seus ensinamentos, especialmente da eleição, predestinação e soberania de Deus. 
Um dia, sempre tem um dia, cansei-me da igreja eurocêntrica e desisti de ser pastor presbiteriano. Não me tornei um ateu porque sou melaninado e todos os melaninados possuem o poder transcendental de contato com as forças espirituais. Somos os seres originais e possuímos como os antigos africanos esse dom proporcionado pela melanina e glândula pineal. Enxergamos através das estrelas como os Dogons do Mali. Olhamos através da sorte como os hebreus, povo africano. Por falar em hebreus continuo desafiando teólogos e historiadores que me digam um personagem branco do Tanach (Velho Testamento). Somos descendentes dos primeiros cientistas, dos inventores da matemática, da filosofia, da medicina e de todas as ciências. Inclusive da teologia, porque fomos criados a imagem e semelhança de Nzambi Mu Pungu, Olodumare ou YHWH. Depende da sua cultura, da sua nação e de milhares de nomes que a sociedades dão ao Eterno e Misericordioso.
As pessoas me perguntam: Qual é a sua religião? 
Respondo: - Nenhuma. 
Sou um hebreu-israelita com um pé no candomblé. 
Não entenda porque nem eu quero entender. Quero apenas viver sobre a proteção dos meus antepassados.
O fazer teológico é como se fosse uma conversa de crianças sobre assuntos de adultos. Parece não entenderem, elas entendem tudo, mas, não dão a importância que damos. Tudo é uma verdadeira brincadeira.
Eu escolhi uma pessoa para ser minha Yá, por enquanto. Yá na nação Ketu é mãe, a cuidadora e aconselhadora das nossas coisas espirituais, aquela que a gente senta e conversa os nossos segredos, aquela que joga os búzios e nos orienta como viver melhor com os nossos odus. Eu tenho uma mãe. Gosto muito dela, não sei se ela será a minha mãe espiritual, quem sabe. .Depende dos meus ancestrais. Mas, eu gosto dela. A Dadá, minha Yá, a minha gratidão.
Uma coisa eu não entendo no candomblé é o sincretismo com o catolicismo. Conheço muita gente que não concorda, mas, por hierarquia e respeito com as Yas não questionam. Eu questiono qualquer coisa que me incomode na teologia. Sou livre porque livres são os meus antepassados.
Não entendo gente de asè ir à igreja católica, assistir missa, pedir a benção de padre, se ajoelhar e implorar favores aos pés das imagens dos eguns brancos. Solicitar orientação à igreja católica que foi cúmplice e obteve lucros com a escravidão dos nossos antepassados. As mãos da igreja católica, os pés o corpo estão sujos dos sangues dos nossos ancestrais.
Um dia desses conversando com uma senhora de asè, ela me falou da Santíssima Trindade. Respondi que não acreditava. Ela olhou-me indignada e quis me explicar como caminhos dos orixás. Disse assim:
- Oxalá tem novo, tem velho, tem assim, tem acolá. Isso é igual à trindade.
Olhei para ela, ternamente perguntei:
Olorum pode nascer da barriga de uma mulher?
Ela indignada, asseverou:
- Não!
Continuei amorosamente:
Olorum não pode. Mas YHWH pode?
A trindade não é ensinamento dos hebreus e nem africano.
A trindade é uma invenção eurocêntrica.
Já se viu Nzambi Mu Pungu nascer da barriga de uma mulher..


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