quinta-feira, 25 de dezembro de 2014

A VINGANÇA DO PRETO GARANHÃO

Walter Passos - Historiador
Skype: lindoebano
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Papeando com um amigo em um bar, no Pelourinho, sobre o racismo conseguimos chegar a conclusões bem parecidas a respeito dos retrocessos e avanços da população preta no Brasil. O meu amigo é um homem “bem estudado” como diziam os meus antigos, cursou faculdade, pós-graduado, vida financeira bem estabilizada, possui casa de veraneio em uma boa praia do litoral baiano, carro do ano e uma família preta. Uma bela esposa da cor de ébano.


O meu amigo é um preto bonito, já quarentão, filho de Xangô com Osun, se orgulha da ascendência Yoruba. Como bom filho de Xangô é um exímio conquistador dos rabos-de-saia como gosta de afirmar e diz que tem a doçura de Oxum que encantas as mulheres.

Conversa vem e conversa vai. Conversamos sobre as pretas bonitas, as rainhas do universo, e ele sorria feliz e disse-me:

- Nada mais belo que uma mulher preta. É a minha preferida!

- "Há outras preferências?". Retruquei:

- "Sim!". Afirmou.

Explique meu brother, pedi estarrecido. Interessado em entender o que um homem preto de mais de 1.90m de altura entendia por “outras preferidas”. Quando o olhei nos olhos, o vi olhar de soslaio, sorria no canto da boca para a mesa ao lado, e duas loiras com “flertes secos“ sorriam para a nossa mesa.

Disse:

- Entendi meu amigo! Não concordo contigo!

Então, ele falou com uma cara descarada:

- É vingança, meu preto!

Quase me engasgo com a roska de umbu-cajá. Olhei abismado e indaguei à meia-voz:

- Namorar mulher branca é vingança?

Ele respondeu empafioso e energicamente:

- Com certeza, meu brother! Vingo o que as pretas sofreram na escravidão. Os abusos, a humilhação. Tudo de ruim. Quando eu “pego” uma mulher branca eu escancaro. Faço barba, cabelo e cavanhaque. A minha vingança maligna. Boto pra lá! Afirmava prazeroso.

Continuou dizendo:

- Você, um preto até bem afeiçoado, devia também se vingar.  Conheço muitos pretos do movimento negro que também são guerreiros vingativos. Botam pra lá!

Olhei seriamente e disse:

- Irmão, cada um inventa o que quer e não vai ser por isso que vamos deixar de ser amigos. Vá se vingar! Eu vou descer o Pelô, irei à roda de samba apreciar mulheres que eu não vá me vingar. As belezas das descendentes das terras d’alem mar.

O que você acha dessa vingança? Dê a sua opinião.




segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

PARADISE LOVE – PROSTITUIÇÃO MASCULINA NO QUÊNIA

 
Walter Passos - Historiador
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Quando falamos em turismo sexual temos a concepção de exploração do gênero feminino em diversas faixas etárias, especialmente nos países das Américas, África e Ásia.

A exploração e os abusos sexuais dos africanos e seus descendentes, infelizmente, foram e são práticas constantes no continente africano e nos países americanos. As relações sexuais forçadas ocorreram em diversas faixas etárias, praticados por senhores de escravizados, escravizados reprodutores, padres e todos os que detinham algum poder no sistema produtivo escravagista.  As mulheres e as meninas foram as maiores vítimas desses monstros da escravidão.

Chama a atenção também o abuso sexual de meninos escravizados e, não podemos esquecer que homens também eram usados sexualmente por senhoras de escravizados, fatos esses pouco comentados na historiografia, mas, citados na oralidade.

Nos dias atuais, ao falarmos de turismo sexual na África pensamos imediatamente na prostituição feminina, na facilidade imposta pela pobreza da necessidade da venda de sexo por preços baratíssimos a turistas europeus. Mas, o que chama a atenção é a prostituição masculina de jovens africanos que se tornaram alvos preferenciais de mulheres europeias quinquagenárias que não conseguem parceiros sexuais em seus países e descobriram que o dinheiro possibilita a compra de favores sexuais na África de homens muito mais jovens.



Essa realidade tornou-se o filme Paradise: Love (alemão - Paradies: Liebe) lançado em 2012 pelo cineasta alemão Ulrich Seidl e sua esposa Veronika Franz, estrelado por Margarethe Tiesel como Teresa, uma mulher austríaca considerada gorda pela beleza eurocêntrica e Peter Kazungu, um belo e formoso jovem preto, como Munga.

A película expõe o encontro de dois mundos, o mundo branco europeu e o mundo preto africano, com suas nuances de sexualidade sem a ideia propagada do amor interracial. O que a personagem Teresa e outras mulheres europeias procuram nas praias do Quênia é o sexo fácil oferecido por diversos jovens que as chamam de “sugar mamas”.


O amor é representado pela opressão racial e social dos jovens africanos que se submetem por dinheiro às mulheres rejeitadas nos seus próprios países e chamadas falsamente de “belas” por causa do dinheiro que possuem e usam para comprar “o amor”. Elas escolhem com quem ficar.


No filme, ocorre que os jovens africanos sabem da necessidade sexual das europeias e as exploram financeiramente.  Mas, se submetem a todos as vontades e taras, sendo considerados objetos para uso e abuso.


Vocês devem assistir ao filme no link abaixo e iremos abrir uma discussão sobre o assunto.

Paradies












terça-feira, 26 de agosto de 2014

POVO MANGBETU – LIPOMBO


Walter Passos - Historiador
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Localizado na província Oriental, região nordeste da República Democrática do Congo, a área Mangbetu é uma floresta e savana. A economia é uma junção de agricultura, criação de pequenos animais, caça, pesca e coleta. As culturas de rendimento têm incluído o óleo de palma, café, amendoim, arroz, banana e milho.
O povo mangbetu é conhecido pela peculiaridade do alongamento do crânio, técnica denominada de lipombo.
O limpombo foi uma técnica utilizada nas sociedades Maia e de Kemet (Antigo Egito), inclusive pela Rainha Nefertiti e o Faraó Tutancâmon.
 

As cabeças dos bebês eram envoltas com um pano, a fim de dar-lhes esta aparência aerodinâmica. Com a presença do cristianismo e a ocidentalização essa prática foi fortemente abalada a partir dos anos de 1950.


A diva Nina Simone abalou os padrões eurocêntricos usando o penteado mangbetu:

Os Mangbetu praticavam a escarificação:
Os europeus cristãos para saquear e cometer genocídios contra as populações africanas inventaram mentiras, é uma delas foi que o povo Mangbetu era canibal.

Os Mangbetu são conhecidos por sua arte altamente desenvolvida, sobretudo em Marfim e pela sua rica musicalidade.Uma harpa foi vendida por mais de US$ 100.000. Musicólogos também procuram os Mangbetus para fazer gravações de vídeo e áudios das suas belíssimas músicas.

KUNDI HARP; OLD RECORDING FROM CONGO, AFRIKA (1952)

Medalha da década de 1927, da coleção Dupont de Marcel Rau, representando uma mulher Magbetu.



Continua no próximo artigo.

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domingo, 3 de agosto de 2014

LIVRO: PERFUME DE MELANINA


Adquira o seu livro autografado e ganhe um DVD de brinde com 24 poemas declamados.

Valor: R$ 15,00 (quinze reais). Envio grátis.
Forma de Pagamento: Depósito em Conta ou Transferência Bancária.

Banco: Bradesco
Nome: Walter de Oliveira Passos
Agência: 3602
Conta Poupança: 1895-3

Encaminhar comprovante e endereço para o e-mail perfumemelanina@gmail.com



Confira as Interpretações Poéticas no dia do lançamento:

Perfume de Melanina - Interpretações Poéticas - Parte I 


Perfume de Melanina - Interpretações Poéticas - Parte II



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domingo, 27 de julho de 2014

AS CANTIGAS DE NINAR AFRICANAS


Walter Passos - Historiador
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As cantigas de ninar ficam impregnadas nas nossas mentes e todas as pessoas ao carregarem um bebê, ou uma criança de tenra idade, pensam nas antigas canções. Quantos de nós somos levados pelas circunstâncias a entoar uma canção para ninar um bebê ou uma criança de colo?
As mulheres possuem mais “jeito” para lidar com esse grande desafio. Assevera a maioria dos homens. 
Colocar um bebê ou uma criança de colo para adormecer não é função para qualquer homem, torna-se necessário a arte de “ninar” , que é acompanhada por antigas cantigas repassadas pelas ancestrais.
Até hoje, são repetidas canções de ninar carregadas de estereótipos, de preconceitos, de preceitos morais ocidentais, amedrontamento e terrorismos nas crianças pretas. Considero-as canções de ninar da escravidão, formulada nas Casas Grandes para que nos tivéssemos medo de nós mesmos e dos nossos.

As canções de ninar cantadas pelas descendentes de africanos escravizados pela mais violenta e sangrenta guerra da história mundial, estimulam nas crianças um mundo fantasioso branco e os dá uma concepção conforme os desejos do opressor: do mundo preto é feio e impuro; do Boi da Cara Preta pega crianças; do Saci aleijado e viciado em tabaco, criando nas mentes infantis a autorrejeição da sua tez melaninada.
  
Por outro lado, é ensinado pelas famílias pretas o mundo “branco puro e bonito das falsas histórias de contos de fadas”, que posteriormente substituem as canções de ninar de personagens pretas assustadoras e ruins.

Observem que este grupo de reggae repete a ideologia branca do Boi da Cara Preta:

Boi da Cara Preta ~ Ritmo "Reggae"

Evidente que as canções de ninar para as crianças pretas deveriam surgir das suas experiências históricas e ancestralidade.

Quais as canções de ninar que as africanas trouxeram consigo?
Quais as canções de ninar cantadas nas senzalas e quilombos?
A grande pergunta: como são as canções de ninar na África?

Nessa viagem pelo mundo virtual encontrei músicas africanas maravilhosas de ninar e as compartilho para uma futura discussão.

SONGS FROM THE BAOBAB (AFRICAN LULLABIES AND NURSERY RHYMES)

AFRICA IS A BEAUTIFUL LULLABY



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quarta-feira, 23 de julho de 2014

QUILOMBO DO AMOR E QUATRO ELEMENTOS



Walter Passos - Historiador
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Walter Passos é escritor, poeta e historiador, no dia 30 de julho lançará, no Forte Santo Antônio além do Carmo- Salvador/Bahia, o livro Perfume de Melanina.
Conheça alguns poemas de Walter Passos:

 QUATRO ELEMENTOS -   Interpretação de Thaty Meneses



segunda-feira, 7 de julho de 2014

PERFUME DE MELANINA

LANÇAMENTO DO LIVRO DE POEMAS:

Walter Passos é escritor, poeta e historiador, no dia 30 de julho lançará, no Forte Santo Antônio além do Carmo- Salvador/Bahia, o livro Perfume de Melanina.



Conheça alguns poemas de Walter Passos:

DENGOSAS
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 SUBINDO A LADEIRA

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ACESSE PRETAS POESIAS:

PRETAS POESIAS

PRETAS POESIAS
Poemas de amor ao povo preto: https://www.facebook.com/PretasPoesias