sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

COMEMORAÇÃO DA KWANZAA

Por Vanessa Passos. Membro do CNNC/BA - Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos/BA, membro do Grupo Agar -Grupo de Mulheres Pretas Cristãs e membro da COPATZION . Pseudônimo: Aidan Foluke. E-mail: vanessasoares13@hotmail.com

A nossa festa da Kwanza foi maravilhosa, com a presença de toda a família Foluke, do CNNC/BA (Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos da Bahia) e membros da COPATZION (Comunidade Panafricanista de Tzion).

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O trabalho para a organização da Kwanzaa foi prazeroso e o irmão Thembi foi as compras das frutas e de outros materias necessários com Aidan, Aswad, Ambolike e Manana. O irmão Thembi foi um dos principais organizadores da celebração, e agradecemos também a irmã Makini e a irmã Kalil e todas e todos que ajudaram a organizar o evento.

Estiveram presentes mais de 50 irmãs e irmãos pretos, entre os convidados o professor de história Jaldemir, o estudante de psicologia Elder Varjão da UFBA, o militante preto Djalma, o sociólogo Valdir Estrela que acompanha todos os eventos do CNNC/BA, a irmã Maura Cristina, a irmã Verônica entre outros.
O nosso especial agradecimento a irmã Jussara do Aspiral do Reggae que conseguiu o espaço do CDCN e sempre nos atende com uma maneira especial e carinhosa. Agradecemos a presença das famílias dos irmãos Beto, do irmão Alexandre da irmã Tereza, do teólogo Osvaldo, da irmã Rose e suas maravilhosas filhas. A presença das crianças nos trouxe alegria e alegria, sem crianças não há esperança e continuidade na luta do nosso povo.
Foram momentos de intensa confraternização onde podemos dançar, cantar, trocar experiências e renovar os votos de um ano de 2009 de continuidade da luta e amor ao nosso povo. O Pastor da COPTAZION Fredson Oliveira esteve presente e nos trouxe uma palavra inspirada de continuidade da luta como o povo escolhido de Yeshua, e sobre as mentiras das comemorações do Natal com o Papai Noel Branco e o grande consumismo dessa festa.
Não podemos esquecer a Irmã Bete e os Irmãos Dal, Beto e Alexandre pelo bolo com o mapa da África muito criativo, belo e gostoso. A todas e todos que participaram da Kwanzaa os agradecimentos da Família Fuloke, do CNNC/BA e da COPATZION.

Vejas as outras fotos da Kwanzaa no orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#Album.aspx?uid=10464817996003069858&aid=1230277801

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segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

KWANZAA E OS SETE PRINCÍPIOS: REPARANDO E RENOVANDO O MUNDO.


Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, PanAfricanista, Presidente do CNNC/BA e membro da COPATZION. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke. E-mail: ulisses_soares@hotmail.com

A princípio, a Kwanza era uma festa comemorada no continente africano na tradição dos povos pretos de reservar determinada época para festejar a fartura da agricultura, e juntos cantar, dançar, comer, beber e comemorar a colheita das primeiras frutas e vegetais. Traziam os primeiros frutos da terra, destes faziam iguarias, e celebravam uma festa.

Baseada no Kinara, que são os setes princípios, a Kwanzaa reúne durante sete dias milhões de descendentes de africanos, celebrando um só povo, uma só luta, um só destino. Cantando e festejando, não mais a colheita, e sim, a sua africanidade e sua união como povo preto. Clique aqui e conheça mais detalhes sobre a Kwanzaa.

Concentremo-nos na temática do ano de 2008, celebrada por milhões de pretos e pretas ao redor do planeta: REPARANDO E RENOVANDO O MUNDO.

Hoje, milhões de pessoas pretas no mundo estão quase que integralmente distantes da africanidade, elas estão integradas e bem estruturadas no modelo de vida branco, ditado pelos costumes do povo branco-europeu ou de seus descendentes. O modelo de igualdade adquiriu sentido viciado, corrompido, em que a igualdade consiste tão somente na total integração e submissão a esse modelo branco predominante.


A escravidão, a invasão do continente-mãe e neo-colonização, transformaram para sempre a história dos africanos e de seus filhos seqüestrados, introduziram em ambos o caos de identidade, o caos espiritual e a aceitação ao modelo racista, machista, escravista, que enraizaram dentro de nós parte dos nossos opressores. Esses fatores demonstram a urgência da necessidade do povo preto no mundo de liberta-se das algemas da escravidão mental, libertar-se do modelo branco imposto e intrínseco nas nossas vidas e buscar outro modelo que nos atenda verdadeiramente e que seja nosso. Mas qual modelo será este? A africanidade é nossa resposta.

A Kwanzaa vem trazer por mensagem uma proposta de reestruturação da africanidade e mais do que isso, motivar a união das pessoas pretas no mundo a celebrá-la. Celebrar faz parte da essência do povo original, unirmo-nos com nossos iguais para celebrar aquilo que nos une é expressar nossa felicidade. E celebra a africanidade é exaltar nossa essência, nossa origem, o que realmente nos une enquanto povo.

A temática desse ano visa apresentar a nós descendentes de africanos a necessidade urgente de reparar e renovar nosso mundo. Não se refere a reparar o sistema criado pelos brancos: os erros causados pelo sistema opressor capitalista e suas desigualdades, ou renovar o planeta com ideais ambientais, igualitários étnicos ou pacíficos.

Para entender o que é de fato Reparar e Renovar o mundo devemos nos ater aos fundamentos da celebração da Kwanzaa: Família Preta, Comunidade Preta e a Cultura Africana. Essa transformação, palavra que pode englobar reparar e renovar, refere-se aos ideais da nossa vida, hoje antagônicos e distantes da nossa história, e como deve ser nossa relação diante dos demais descendentes de africanos e o nosso opressor. A festa da Kwanzaa é uma festa de africanos e seus descendentes para nós mesmos, com nosso próprio mundo, nossas necessidades, nossos desejos, nossa africanidade.

Renovar é um aspecto que depende unicamente de nós mesmos, e este ano a celebração da Kwanzaa vem trazer para nós esse significado. Nos dizeres de Marcus Garvey acerca de nós mesmos:

“Pelos últimos quatrocentos anos, o negro tem estado na posição de ser comandado, da mesma maneira que os animais irracionais são controlados. Nossa raça tem estado sem uma vontade, sem propósito próprio, durante todo esse tempo. Por causa disso, nós desenvolvemos poucos homens capazes de entender o ardor da era que vivemos. Onde podemos encontrar nesta nossa raça homens verdadeiros? Homens de caráter, homens com determinação, homens confiantes, homens de fé, homens que realmente conhecem a si mesmos? Eu tenho me deparado com tantos fracos que se consideram líderes e que, ao examinar, descobri que eles não são nada além de escravos de uma classe mais nobre. Eles executam a vontade de seus senhores, sem questionar.”

A festa da Kwanzaa é uma manifestação panafricanista. Reparando o mundo é uma mensagem de reconstrução da nossa identidade que fora mitigada durante esses 400 anos. A temática vem nos fazer refletir que a nossa por integração nesse sistema branco, a luta por políticas públicas, por ações integralistas e políticas afirmativas, nos fez esquecer que somos comunidade africana, somos estrangeiros nesse continente e não devemos cobrar de um Estado que não fora construído para o homem e mulher preta, um Estado racista e escravista historicamente, um Estado que apóia o extermínio da Juventude Preta e nada efetivamente faz contra isso, não podemos entregar a ele as resoluções das nossas questões, porque esse Estado nunca nos dará o que precisamos, seremos sempre escravos, servos e animais irracionais.

Renovar a nossa família é instituir o modelo de família Preta, unicamente Preta, na nossa sociedade, nos dizeres de Thembi Sekou Okwui:

“A reconstrução da nação preta, do povo preto, começa com a unificação sentimental. O renascimento africano está condicionado ao renascimento da família preta. A nossa reconstrução familiar é a base fundamental para fazer surgir uma nova raça, um novo povo.”

Reparando dentro desse modelo de família preta, as ações dos opressores em nossas mentes, dizimando aquilo que impede nossa comunidade de construir uma verdadeira família preta: machismo, a violência contra a mulher preta, as drogas, o feminismo branco-europeu adotado por milhares de militantes negras que preferem construir o mundo baseado no gênero feminino, a construí-lo em família preta, o aborto maior tentativa de genocídio declarado do nosso povo. Para Renovar e Reparar nosso mundo, o núcleo familiar preto deve ser instituído na nossa reconstrução de sociedade africana.

Os sete dias de celebração da Kwanzaa serão de fundamental importância para essa nossa transformação. Celebrar a Kwanzaa é celebrar nossa africanidade e nenhumas dessas práticas são africanas. São em verdade, praticas demoníacas construídas pelo homem e mulher branca para destruir nosso continente-mãe e seus filhos.

Por fim, vamos todos celebrar a Kwanzaa juntamente com milhões de Pretos e Pretas ao redor do mundo, festejar nossa africanidade, e praticar a temática a partir de hoje: REPARANDO E RENOVANDO O NOSSO MUNDO.

O CNNC irá celebrar a sua segunda Kwanzaa este ano no dia 25 de dezembro às 16:h com a participação da COPATZION e caso você se enquadre nesses princípios e fundamentos, e queria de fato celebrar a africanidade conosco, entre em contato através do e-mail cristaosnegros@yahoo.com.br

A Kwanzaa Celebration '08


sábado, 6 de dezembro de 2008

O PRIMEIRO CONCURSO DE BELEZA NEGRA DA HISTÓRIA

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos@gmail.com

É fundamental nos estudos afrocêntricos compreender o continente africano e asiático como uma continuidade geográfica (de fato, até a construção do moderno Canal de Suez, em 1869) é indispensável para reafirmação da verdadeira história e dinâmicas sociais. Afirmar também que toda essa extensão geográfica constituía a dinâmica de populações preta: suas civilizações, relações comerciais, religiões, conflitos, e principalmente o reflexo do modo africano de viver em sociedade.
Esse artigo versará regiões e pessoas de origem africana, incontestavelmente pessoas pretas, que formaram incríveis civilizações por acinte omitidas pela história eurocêntrica, embranquecida.
O fato histórico a ser descrito ocorreu entre 485 a 465 a.C (antes do nascimento de Yeshua, o Messias) e têm encontrado no Livro de Esther alguns de seus principais personagens:
1-E sucedeu nos dias de Assuero, o Assuero que reinou desde a Índia até Etiópia, sobre cento e vinte e sete províncias,
2- Que, assentando-se o rei Assuero no trono do seu reino, que estava na fortaleza de Susã.
Xerxes I (خشایارشا) foi um rei persa (reinou de 485 a 465 a.C), da dinastia aquemênida. "Xerxes" é tentativa na língua grega de soletrar o nome persa Khshayarsha. Na Bíblia Xerxes I é conhecido como Assuero.

Xerxes I (Assuero) e Rodrigo Santoro No filme “300”, mais uma vez o cinema nega a negritude das personagens.


5- Havia então um homem judeu na fortaleza de Susã, cujo nome era Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, homem benjamita,
6- Que fora transportado de Jerusalém, com os cativos que foram levados com Jeconias, rei de Judá, o qual transportara Nabucodonosor, rei de babilônia.
7- Este criara a Hadassa (que é Ester, filha de seu tio), porque não tinha pai nem mãe; e era jovem bela de presença e formosa; e, morrendo seu pai e sua mãe, Mardoqueu a tomara por sua filha.

Então, temos duas personagens principais: Assuero e Hadassa, duas personagens negras atuando em uma cidade negra chamada Susã.
Antes de entrarmos no concurso de beleza negra iremos falar sobre as principais civilizações inseridas neste contexto histórico:

Os Elamitas

Gênesis 10:21-22 - A Sem, que foi o pai de todos os filhos de Eber e irmão mais velho de Jafé, a ele também nasceram filhos. Os filhos de Sem foram: Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arão.
Elão foi uma das mais antigas civilizações da Terra e teve como berço as antigas civilizações de Khemt (Egito) e de Cush, da mesma forma que os sumérios tiveram.

A civilização de Elão estava situada ao norte do Golfo Pérsico e do Rio Tigre, a leste da antiga Babilônia, onde hoje é o sudoeste do Irã e Iraque. Foram conhecidos como um povo belicoso que ameaçava a toda poderosa Babilônia. A civilização contou com um grande desenvolvimento em todas as áreas do conhecimento, tanto literário e quanto arquitetônico e escultural, produzindo ao mesmo tempo diversos utensílios de metais preciosos e muitos templos religiosos.
Os Elamitas se originaram no Vale do Nilo e fizeram parte das migrações africanas das pessoas dessa área, cerca de 8000 a.C a 5000 a.C. O estabelecimento do reino de Elão localizou-se onde os habitantes eram em sua maioria puramente pretos (nos termos antropológicos Negroide-Astraloid), da mesma escala das pessoas pretas que habitam o Sri-Lanka e o sul da Índia. Alguns dizem serem os Elamitas cushitas puro-sangue.

Herodotus e outros escritores gregos da casa de Memnon os descreviam como pessoas advindas da Etiópia (África), a terra dos pretos.
São descritos também como pessoas baixas e robustas de epiderme marrom, cabelos e olhos crespos e pretos, que habitaram uma considerável parte do continente asiático em tempos antigos, como se pode observar nas imagens por eles desenhadas.A capital do Reinado foi a cidade de Susã. Por este motivo também são conhecidos como Susianos. Algumas outras cidades também merecem destaque como Awan, Simash, Madaktu e Dur-Untash.
Cidade de Susã, capital do Império Elamita
Além da guerra, o comércio foi o centro das relações dos Elamitas, que comercializavam com todo o continente africano. Suas embarcações atravessavam o Tigre e o Eufrates e também o sudoeste africano, indo pelo Mar Vermelho.
Depois na história entrem 750 d.C a 450 d.C os Assírios invadiram militarmente os Elamitas e o dominaram saqueando quase completamente a região da Babilônia.

Observem o detalhe do cabelo crespo, a barba e o nariz tipicamente com traços Cushitas, africanos.

OS HEBREUS
Não há duvidas sobre a negritude dos verdadeiros hebreus, apesar de hoje habitarem a terra prometida, pessoas caucasianas que não são os verdadeiros descendentes de Abrão, Isaque e Jacó. São os Askenazis convertidos a tradição dos hebreus, e em breve faremos um artigo especial sobre esse fato.
A arqueologia, o Primeiro Testamento e os hebreus pretos espalhados no continente africano e americano nos dão as provas consistentes da aparência de Hadassa, a mulher preta que venceu o primeiro concurso de Beleza negra realizado na cidade Susã.
Os relatos sobre a vida de Moisés no Primeiro Testamento atestam a sua negritude.
Obeliscos encontrados em escavações, que atualmente estão no Museu britânico:

Hebreus no cativeiro - Olhem os detalhes são pessoas pretas

O CONCURSO DE BELEZA NEGRA
2-Então disseram os servos do rei, que lhe serviam: Busquem-se para o rei moças virgens e formosas.
3- E ponha o rei oficiais em todas as províncias do seu reino, que ajuntem a todas as moças virgens e formosas, na fortaleza de Susã, na casa das mulheres, aos cuidados de Hegai, camareiro do rei, guarda das mulheres, e dêem-se-lhes os seus enfeites.
4- E a moça que parecer bem aos olhos do rei, reine em lugar de Vasti. E isto pareceu bem aos olhos do rei, e ele assim fez.
O Império Persa possuía regiões que iam da Etiópia até a Índia, e de lá vieram dezenas de mulheres pretas, sendo escolhidas as mais belas e formosas, objetivando de se escolher a esposa do rei Assuero (Xerxes I). A beleza da mulher negra sempre foi ressaltada e louvada nos escritos da antiguidade, inclusive o preto Salomão, foi um admirador e apaixonado pelas mulheres originais - as mais belas do planeta. O seu amor pela Rainha Makeda ou Balkis do reino de Sabá, tornou-se a mais conhecida das histórias de amor da literatura mundial.
16- Assim foi levada Ester ao rei Assuero, à sua casa real, no décimo mês, que é o mês de tebete, no sétimo ano do seu reinado.
17- E o rei amou a Ester mais do que a todas as mulheres, e alcançou perante ele graça e benevolência mais do que todas as virgens; e pôs a coroa real na sua cabeça, e a fez rainha em lugar de Vasti.
18- Então o rei deu um grande banquete a todos os seus príncipes e aos seus servos; era o banquete de Ester; e deu alívio às províncias, e fez presentes segundo a generosidade do rei.

Entre dezenas de lindas jovens de diversas nações pretas, Hadassa (Ester) foi considerada a mais bela entre as belas e teve posteriormente um papel fundamental na preservação do seu povo, evitando que o mesmo fosse exterminado. Em outro artigo escreveremos da Negra Hadassa, amor ao seu povo e Purim.

The Elam Empire - Ancient history

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

CULTO DE INAUGURAÇÃO DA COPATZION



Por: Ulisses Passos. Acadêmico de Direito, Pan-Africanista e Presidente do CNNC/BA e membro da COPATZION. Pseudônimo: Aswad Simba Foluke. E-mail: ulisses_soares@hotmail.com



Ontem, dia 30 de novembro a Comunidade Pan-Africanista de Tzion, realizou o seu culto inaugural. O povo preto uniu-se para louvar e festejar Yavé. Yeshua, o Africano, esteve presente em nossos corações.

Foi uma manhã de confraternização dos cristãos pretos que livremente cantaram, dançaram e louvaram a Yeshua, o Messias, e renovaram os seus votos ao crescimento da Igreja Preta, a divulgação da Teologia Preta, a propagação do Cristianismo de Matriz Africana, ao compromisso da real liberdade do povo preto, as missões de libertação e inserção cada vez maior de combate ao racismo na sociedade e nas igrejas evangélicas.
Contamos com a ilustre presença do Pastor Batista Allan Callahan (USA), que nos trouxe uma inspirada mensagem sobre Yeshua e seu amor a humanidade. Tivemos momentos de louvor e adoração, canções de Bob Marley (One Love e Redemption Song), orações e declamação de poesias de Agostinho Neto e Marcus Garvey, leia:

O Louvor Africano de Batalha
(Marcus Garvey)
O sol africano está brilhando acima do horizonte,
O dia está surgindo para nós, homens e mulheres pretas ao redor do mundo;
Nosso Deus está na linha da frente, e conduz o Batalhão Santo,
Avante, faça suas bandeiras brilharem, irmãos de nobres ações.

Há uma bandeira que nós amamos verdadeiramente -
O vermelho, o preto e verde,
Maior emblema que pode ser declarado,
A mais brilhante já vista.

Quando o mal for rompido, a terra vai tremer,
Nem oceanos, mares, nem lagos estarão a salvo,
O nosso sofrimento foi muito longo, nosso choro subiu até o trono de Deus;
Temos contados diversos erros, e apelamos por uma mudança efetiva.

Então, Senhor, deixe-nos ir para a batalha, com a Cruz na frente;
Vamos ver nossos inimigos sucumbirem, ver suas fileiras se dividir
Porque com Deus não há qualquer obstáculo que não possa ser ultrapassado,
Nem vitória que não possa ser alcançada.

Todos os filhos de Deus, seja na angústia ou nos castigos,
Não importa onde, com misericórdia, seu amor está lá;
Então dei-nos coragem para alegres cantar louvores ao Rei, O Salvador, Cristo, o Senhor.

OH, África, vitória! Veja, o inimigo vai cair!
Cristo levar-nos a vestir a coroa triunfante;
Jesus, lembramos com carinho o sacrifício da cruz,
Então levantamos as nossas bandeiras para nunca mais sofrer.


A ordenação do Pastor Fredson Oliveira e sua inspirada pregação foi sobre o Amor de Yeshua para o povo preto, o povo escolhido de Yavé.

Agradecemos a presença dos representantes da ANEC (Associação de Negros Evangélicos de Camaçari), do Pastor Callahan e dos membros do CNNC/BA. Agradecemos também a apoio dos irmãos pretos Paulo Rogério e Geilson da Mídia Étnica.
Veja algumas fotos do Culto inaugural da Igreja Preta:


Leitura das Sagradas Escrituras Africanas
Irma Kinda, irmã Makini, irmã Aidan,Pastor Fredson, irmã Bete e Sista Dina.

Pastor Fredson, esposa Jaqueline e filha Fernandinha

Dança do Povo Preto


O Povo Preto é só Alegria!


Deixai vir a mim as criancinhas- Palavras de Yeshua, o Africano.



Ras Roberto e Ras Sidnei , tocadores dos instrumentos sagrados, nos agraciaram com o Toque do Coração em louvor a Yeshua. Irmã Manana, Irmão Thembi, irmã Makeda e seu esposo Ednor.



Irmã Aidan, irmã Elenita e irmã Manana

Parabenizo a iniciativa dos irmãos, pois acredito, que estamos caminhado par esse momento, em que em nossas igrejas negras, terão uma participação na pregação autentica do verdadeiro Evangelho do Cristo, que como os irmãos acredito ser preto tembém. Infelizmente não poderei estar com os irmãos nessa ação afirmativa, mas creio que terei a oportunidade de participar de uma celebração com os irmãos em breve.
Continuem precisaremos da experiências de vocês para enchermos o Brasil de igrejas pretas dirigidas por pretos.
João Preto/PASTOR

Veja mais fotos da COPATZION no Orkut:

http://www.orkut.com.br/Main#AlbumList.aspx?uid=10464817996003069858

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

IGREJA PRETA - A RECONSTRUÇÃO ESPIRITUAL DOS AFRICANOS E AFRICANAS NA DIÁSPORA

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos@gmail.com


Após dois anos de imensos debates internos e tentativas de aproximação com pastores e igrejas protestantes, possuidoras de “programas” contra a discriminação racial, o CNNC (Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos) percebeu a impossibilidade de manutenção e permanência da maioria de seus membros nessas comunidades. Não excluímos totalmente o diálogo com essas igrejas e suas lideranças brancas, as quais mantêm dentro de suas instituições milhões de descendentes de africanos aprisionados mentalmente, sendo esse o motivo de continuarmos com essa tentativa, com a nossa voz profética, com obrigação de alertá-las sobre o pecado do racismo contra as filhas e filhos de Yavé.
Sabemos que certas igrejas possuem pastorais ou estão iniciando discussões, aonde ordenam pretas e pretos as representem em reuniões dos Movimentos Sociais, evitando o confronto dos verdadeiros representantes dessas igrejas - os brancos - que possuem as decisões. Estes não comparecem, são os reais detentores do poder eclesiástico, estes não desejam mudanças na opressão racial e acumulam experiências de dominação, usam estas pastorais, evitando também discutir internamente a discriminação contra o povo preto nas suas igrejas, concílios e na sociedade, outrossim, as pretas e pretos servem muito bem para escamotear o que eles deveriam urgentemente discutir e tentar resolver em conjunto.
O Movimento Negro sabe e confirma que o CNNC é a única organização cristã preta livre, adjetivada pelas igrejas brancas e seus representantes descendentes de africanos de “negros rebeldes”, “negros desobedientes”, “negros hereges”, “negros divisionários”, “negros pecadores”, “negros endemoniados”. Consideram-nos pregadores de uma Teologia Negra e da saída do povo preto dessas instituições, o que não deixa de ser verdade em última análise. O CNNC não deseja e nem pede que as igrejas brancas peçam perdão ao povo preto pela escravidão. Não acreditamos na seriedade moral e espiritual desta petição. Inclusive a maioria delas não atendeu ao pedido de perdão sugerido por membros de algumas organizações cristãs que ilusoriamente acreditam nas igrejas brancas. Pedimos sim, a Yavé que perdoe essas igrejas que usando indevidamente o seu Santo Nome participaram da invasão da África - Continente Abençoado, do tráfico de mulheres, crianças e homens originais, da exploração dos nossos ancestrais e são culpadas pela omissão da escravidão e racismo, e muitas delas da participaram da morte de milhões de africanos e descendentes, e além do perdão, que Yavé proceda com a devida justiça atingindo todos aqueles que até hoje se utilizam do racismo e das inúmeras mentiras para construção dos seus Impérios religiosos anti-pretos.
O CNNC entende o medo das igrejas brancas e as causas da preocupação da manutenção de milhões de pretas e pretos passivos, em seus quadros religiosos. Abaixo, analisaremos os motivos principais que levam ao desespero dessas estruturas eclesiásticas:

CRISTIANISMO DE MATRIZ AFRICANA

O CNNC foi a primeira organização no Brasil a divulgar que a origem do cristianismo é africano, através de profundos estudos da história do cristianismo, da história das civilizações do Vale do Nilo, da região conhecida por Magreb e especialmente pelos estudos das Sagradas Escrituras Africanas (Bíblia). Os livros do Primeiro Testamento tiveram como espaço geográfico a África antes de ser separada pelo congloremerado anglo-francês que construiu o canal de Suez. África e Ásia são na verdade uma só extensão territorial e os fatos históricos bíblicos tiveram como atores e atrizes mulheres e homens pretos.
As primeiras comunidades cristãs se formaram na África e ainda existem como provas vivas das revelações de Yavé para as civilizações originais, assim, ainda temos a Igreja Copta no Egito e a Igreja na Etiópia, formadas bem antes da Igreja Branca Católica Apostólica Romana e das Igrejas Brancas surgidas na Reforma Protestante do séc. XVI. Por isso a COPTAZION se espelha em uma tradição africana, numa reelaboração de fé dos ancestrais africanos, denunciando que o cristianismo que ai está seja católico ou protestante, omite a verdade histórica e das primeiras comunidades africanas cristãs. Yeshua, nunca foi a Europa, foi um homem africano com uma família africana e com mensagens de reconciliação, de libertação e paz para os africanos e seus descendentes. A COPTAZION é a única igreja no Brasil que reconhece e propaga o Cristianismo de Matriz Africana como um dos seus principais alicerces doutrinários.
Leia mais sobre Cristianismo de Matriz Africana em:
AXUM - AS IGREJAS ESCULPIDAS EM ROCHAS NA ETIÓPIA
O MEDO DE JESUS CRISTO PRETO

QUESTÃO ECONÔMICA

Censos realizados há alguns anos, demonstram que há cerca de 15 milhões de descendentes de africanos membros de diversas igrejas evangélicas ou protestantes. A amada leitora e o amado leitor se forem membro de igreja, sabe que a manutenção das instituições perpassa com a contribuição direta dos fiéis, sendo assim, podemos enumerar algumas: dízimos, ofertas, campanhas beneficentes, etc., para manutenção de escolas, hospitais, templos, gráficas, seminários, missões, salários pastorais, entre outros.
Desde a infância aprendi a contribuir com os trabalhos das igrejas, em muitos momentos eu guardava o pouco dinheiro para a merenda escolar com a finalidade de ofertar na escola dominical. Deixei de comprar os meus doces, mas aprendi a responsabilidade da contribuição de se manter a instituição religiosa. Apenas me arrependo de ter deixado de saborear os doces e ter contribuído para manutenção do racismo. Nenhuma organização sobrevive sem a participação econômica de seus membros e na igreja esse aprendizado começa na infância.
Vamos brincar um pouco de economia, não sendo a minha área poderei incorrer em erros, mas baseado em experiências e relatos, analisaremos as contribuições de 15 milhões de descendentes de africanos para as diversas organizações protestantes. É bom ressaltar, o dízimo significa para muitas igrejas, dez por cento do salário. Há membros de diversas classes sociais , e a maioria recebe o um salário mínimo; dez por cento do salário mínimo são R$ 415,00 reais; se você ganha um salário mínimo e se for um crente fiel; dez por cento, isto é, 41 reais pertencem à instituição. Se você ganha 2000 reais, 200 são da instituição. Além das ofertas, campanhas, etc... Suponhamos na média que 15 milhões de pretos contribuam na média 50 reais ao mês, evidente que essa média deve subir, pela aquisição de diversos CDs, shows do grande mercado gospel, da compra de Bíblias, literatura, cartões, roupas, e diversos outros objetos diariamente adquiridos pelo povo preto evangélico.
Por baixo façamos a multiplicação:
15.000.000,00 X 50,00 = 750 milhões de reais, em um ano serão nove bilhões de reais utilizados para a manutenção do racismo protestante.
Pode-se chegar tranquilamente também a média de 100 reais pela venda de material evangelístico e poderosas campanhas de manutenção de programas de rádios e televisivos. Então façamos uma média de R$100,00 mensais, isso sem integrar as Testemunhas de Jeová e os pretos na Igreja Católica que não fazem parte nesses cálculos, porque teríamos um valor impossível neste momento de supor.
Na média de R$100,00 X 15.000.000,00 = 1 bilhão e 500 milhões de reais investidos pelos descendentes de africanos evangélicos nas igrejas que negam a discriminação racial no Brasil.
Pasmem! Setecentos e 50 milhões de reais ou um bilhão e 500 milhões de reais são disponibilizados ao mês, nove bilhões de reais ou 15 bilhões de reais anualmente para a manutenção de estruturas que negam o racismo e esse montante não são voltados para a comunidade negra.
Minha irmã e meu irmão preto é o momento de se fazer reflexões.
- O que você tem feito pelo seu povo preto?
- O suor de seu trabalho tem servido para a manutenção do racismo nas igrejas evangélicas?
- O dízimo e oferta garantem que seus filhos e filhas estudem nos colégios dessas denominações?
- Não já passou o momento de você reverter esse processo?

QUESTÃO HISTÓRICA
A negação do racismo na igreja protestante é de tentar escamotear o passado dos escravizadores norte-americanos que trouxeram a fé evangélica para o Brasil, e com eles o racismo protestante de missões o qual já encontrou uma sociedade racista baseada no catolicismo escravizador.
Foram formadas igrejas baseadas no simbolismo branco-puritano-racista, que delinearam e marcaram todas as igrejas históricas e a posteriori as denominações pentecostais e neopentecostais.
A historia do protestantismo Brasileiro é baseada no liberalismo, na idéias do Darwinismo Social, da Predestinação (que criou o Apartheid na África do Sul e as Leis Jim Crow) e em teologias anti-preto. O interesse dos primeiros protestantes foi de converter brancos e não descendentes de africanos, ocorrendo uma inversão de alvo, tornando-se necessário um entendimento mais acurado da presença maciça de pretos e pretas nas denominações protestantes históricas, especialmente a fé batista. Nas outras igrejas históricas há também comunidades exclusivamente pretas, e a grande presença de comunidades evangélicas em quilombos, fato este, não comentado por historiadores, sociólogos e antropólogos. As igrejas pentecostais e neopentecostais são majoritariamente negras, como o caso especifica das Assembléias de Deus e de outras.
A história do protestantismo no Brasil é pautada na discriminação racial e no alijamento da parcela preta dos processos decisórios, tanto assim, que a Igreja Metodista, ainda se recusa de aceitar como um dos heróis da fé, o crente metodista marinheiro João Cândido.
A história do protestantismo no Brasil é a negação do ser africano, são concepções eurocentradas e norte-americanas, que através de seus programas educativos se apropriaram do discurso da inferiorização dos descendentes de africanos. Aliás, muito bem planejado, afetando as relações de convivência da família, do povo preto, criando um desejo intenso de branqueamento das poucas lideranças masculinas e o desejo intrínseco de “melhoria” racial; um péssimo exemplo para as crianças e jovens. Achei um vídeo na internet o qual retrata a visão distorcida das relações entre negros em uma igreja protestante.

A QUESTÃO TEOLÓGICA
Um dos recortes fundamentais da manutenção da escravidão mental dos descendentes de africanos no protestantismo e a Teologia.
Quando usamos a conceituação de teologia branca é para explicitar diretamente que os conceitos do cristianismo protestante são europeus e norte-americanos. Não vou citar as diversas escolas teológicas, mas todos os pensadores são brancos, a teologia tem postulados brancos ocidentais, inclusive pretos e pretos se tornam doutores e doutoras nesses pensamentos, nada entendem de afrocentricidade, mas são mais brancos do que os próprios brancos e se voltam violentamente contra o modo de pensar africano e afro-diaspórico. O Povo preto é o mais espiritual da terra porque possui a essência do sopro divino, resultante de ser a primeira criação de Yavé, os seres originais. Um povo repleto de alegria e espiritualidade. O povo escolhido de Yavé para povoar o planeta, sendo a sua imagem e semelhança, não estou excluindo as outras cores epiteliais que sofreram mutações genéticas temporais. Apenas afirmo que o povo preto é originariamente o POVO de DEUS, conforme escrito nas Sagradas Escrituras Africanas e em todas as antigas tradições do mundo. As Sagradas Escrituras Africanas relatam erros e acertos de povos africanos e suas relações com o Deus PRETO.
As igrejas protestantes ensinam uma teologia branca excludente, anti-histórica e anti-Bíblica que mantém milhões de descendentes de africanos aprisionados, imaginando um Deus europeu, escravizador e terrorista, que não ama o povo preto. Incrível, como a teologia foi transformada, apropriada e deformada para a manutenção de inverdades que favoreceram o império branco romano e foi novamente transformada na reforma protestante branca européia do sec. XVI. Os diversos pensamentos teológicos da Igreja Branca Romana e da Reforma Branca Protestante foram direcionados aos povos brancos e serviram de exclusão do Povo Preto.
Por isso, o CNNC, não aceita e nem compreende que teólogos brancos no Brasil queiram produzir uma Teologia Negra – melhor seria Teologia Preta - isso é impossível, é vergonhoso, como também e questionável que pretos e pretas que ainda estão dominados e subservientes nas igrejas brancas em suas pastorais e concílios, tentem fazer um Teologia Negra sendo orientados por esses pastores. Isso é brincadeira!!! Somente pretos livres e independentes em suas comunidades pretas tem a possibilidade de viver e escrever uma Teologia Negra, porque é a sua vivência espiritual com Yavé, podem entender, sem a interferência espiritual dos líderes brancos e suas teologias excludentes a vontade de Yavé para o seu povo preto. Junte-se a nós nessa caminhada.
QUESTÃO DAS MULHERES E CRIANÇAS
As igrejas no Brasil servem de exclusão das crianças e das mulheres mantendo o foco da patriarcalidade, de uma teologia patriarcal, sexista e machista. As crianças alvo do amor de Yeshua são desconsideradas, especialmente as crianças descendentes de africanos, alvos incontestes de uma educação discriminatória que afeta a sua auto-estima desde o ventre materno, formadas em escolas dominicais que afetam a sua formação como africanos em diáspora.
Leia mais:
O RACISMO NA ESCOLA BÍBLICA DOMINICAL
As mulheres pretas, as grandes baluartes da ancestralidade africana, da família, da fé, são esquecidas nestas igrejas protestantes, milhões de mulheres pretas não tem o reconhecimento da sua beleza e inteligência como obra-prima do criador na África, e essas igrejas machistas a negam a ordenação pastoral, colocoado-as como serviçais de templos e organizações. Por isso torna-se necessário a imediata libertação espiritual dessas mulheres e crianças para que se redescubram na africanidade e possam cumprir verdadeiramente a missão de unificação do seu povo nas igrejas evangélicas e nas sociedades afro-diaspóricas.
Conclusão: Estes são alguns fatores de pretas e pretos de diversas denominações em Salvador-Bahia, resolveram atender o chamado de Yavé para se organizarem além do CNNC, na primeira Igreja Preta do Brasil - COPATZION (Comunidade Pan-Africanista de Tzion). Apesar de no Brasil existir igrejas que se autodenominam de Negras, possuem apenas cultos alegres e avivados, como é natural, pois sua maioria é de descendentes de africanos que abundam a alegria e a Graça de Yavé e onde está o povo preto reunido está à presença do Eterno, abençoando ao seu povo original. Infelizmente estas igrejas possuem uma teologia branca em comunidades pretas. A COPTAZION é uma igreja preta com uma teologia preta, ai está à diferença.
Os desafios já surgiram e ataques já se iniciaram contra a COPATZION, as lideranças brancas e membros pretos afetados por estas estão desesperados pela aceitação da COPATZION pela comunidade preta. Estamos recebendo dezenas de e-mails de todo o Brasil e do exterior com pedidos de inauguração da COPATZION.
Irmãs e irmãos pretos, você pode agora LIVREMENTE LOUVAR A YESHUA, o AFRICANO, cantar e tocar os tambores sagrados, participar de confraternização como um só povo: O POVO DE YAVÉ, e no próximo dia 30 estaremos fazendo a nossa primeira celebração com a ordenação do nosso pastor, cânticos, poemas, danças e confraternização da Igreja Preta.
Contribua com essa idéia. Precisamos implementar ações de missões e construção do nosso templo. Tenha a COPTZAION nas suas orações e nas suas ofertas. Precisamos enviar missionários (as), queremos chegar a sua cidade com as nossas missões de libertação. Seja corajoso e corajosa. Aceite o desafio de fé. Só com a sua ajuda, irmã e irmão preto, poderemos enfrentar esses impérios religiosos consumistas e racistas que você ajuda a construir e manter, por falta de opção, porque sempre acreditou no amor de Yeshua. Agora chegou o momento de você construir pelo seu povo preto.
Entre em contato com os cristaosnegros@yahoo.com.br e com copatzion@gmail.com e vamos mudar esse jugo desigual.

sábado, 15 de novembro de 2008

RELAÇÕES INTER-RACIAIS - A FALSA DEMOCRACIA RACIAL

Por Walter Passos. Teólogo, Historiador, Pan-africanista, Afrocentrado e Presidente CNNC – Conselho Nacional de Negras e Negros Cristãos. Pseudônimo: Kefing Foluke. E-mail: walterpassos21@yahoo.com.br

Por Jose Raimundo. Pan-africanista, Afrocentrado. Membro da Igreja Pan-Africanista Tzion. Pseudônimo: Thembi Sekou Okwui. E-mail: soulafrica@hotmail.com


As relações inter-raciais são constantemente discutidas e rediscutidas nos países de formação escravacrota, sendo motivos de grandes polêmicas e embates. Já fizeram parte de dispositivos de leis em diversos países escravizadores, como a Inglaterra, e até há pouco tempo nos USA, como o sistema legislativo Jim Crow, que proibia a união inter-racial prevendo o julgamento dos infratores e sua condenação.
Clique aqui e leia mais sobre as leis do Jim Crow
Até mesmo em âmbito religioso as proibições foram bem explicitas como orientações de igrejas brancas, como no caso dos adventistas, quando Ellen G. White escreveu: “Mas há uma objeção ao casamento da raça branca com a preta. Todos devem considerar que não têm o direito de trazer à sua prole aquilo que a coloca em desvantagem; não têm o direito de lhe dar como patrimônio hereditário uma condição que os sujeitariam a uma vida de humilhação. Os filhos desses casamentos mistos têm um sentimento de amargura para com os pais que lhes deram essa herança para toda a vida.”(Ellen Gould White, Mensagens Escolhidas - vol.2; Editora Casa Publicadora, Sto. André - SP; 1985 - pág. 343 e 344).
Ellen White continua: "Em resposta a indagações quanto à conveniência de casamento entre jovens cristãos de raças branca e preta, direi que nos princípios de minha obra esta pergunta me foi apresentada, e o esclarecimento que me foi dado da parte do Senhor foi que esse passo não deveria ser dado...Nenhuma animação deve ser dada a casamentos dessa espécie entre nosso povo..." (Ellen Gould White op.cit.).
Se por um lado, em diversas sociedades e organizações religiosas houve proibições nas relações inter-raciais, em outras, como a arquitetura racial do Brasil, isso foi bem difundida e elaborada como sistema de dominação e manipulação.
Gilberto Freire no seu livro Casa Grande e Senzala e Sobrados Mocambos demonstra com uma sagacidade perversa a falsa formação do Brasil baseados em relações de senhores brancos com escravizadas pretas, o qual ainda hoje tem servido como parâmetros e defesas de um país miscigenado, reforçado também pelos escritos de Darcy Ribeiro, no seu socialismo moreno.
No Orkut, site de relacionamento de maior acesso no Brasil, encontramos dezenas de comunidades exaltando os relacionamentos inter-raciais e citamos algumas:
O Amor Não Tem Cor
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=15109546
Amor Interacial
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=11849495
Relacionamento Interracial
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=2389862
No entanto, a miscigenação no Brasil não dever ser vista sob a ótica pacífica e amorosa de uma pura e simples integração racial, construída pelos pensadores acima referidos e difundida pelas escolas, universidades, igrejas, mídia e outros intelectuais brancos. Na verdade, a miscigenação tem que ser vista sob a ótica da exploração sexual de homens e mulheres negras, para atender o desejo da elite branca de fazer deste país uma nação “quase” européia.

No Livro Rediscutindo a mestiçagem no Brasil – Identidade nacional versus Identidade negra, Kabengele Munanga explica como a mestiçagem serviu como mecanismo de aniquilação da identidade negra, servindo ao propósito do racismo para desmobilizar, criar falácias de igualdade racial e inserir na mente da população negra o desejo de branqueamento.
Acreditamos que a mestiçagem foi um plano elaborado para enfraquecimento e dominação dos africanos no Brasil, pois com a existência de mestiços, há uma população em crise, sem identidade definida, que opta em se manter ao lado do projeto de sociedade do opressor, trazendo conseqüências psicológicas danosas a sua existência, como aborda a grande pensadora negra Neusa Santos em seu livro “Torna-se Negro”, pag. 7,:
“Os esforços para curar a “ferida” vão então suceder-se numa escalada patética e dolorosamente inútil. Primeiro tenta-se metamorfosear o corpo presente, atual, de modo penoso e caricato. São os “pregadores de roupa” destinados a afilar o nariz ou os produtos químicos usados para alisar o “cabelo ruim”. Em seguida, vêm as tentativas de aniquilar, no futuro, o corpo rebelde à mutação, no presente. São as uniões sexuais com o branco e a procriação do filho mulato. O filho mulato e o neto talvez branco representam uma louca vingança, suicida e homicida, contra um corpo e uma “raça” que, obstinadamente, recusam o ideal branco assumido pelo negro. “
O sociólogo Roquildes Ogunbá, militante do movimento negro, assevera na comunidade do orkut MULHER NEGRA & HOMEM NEGRO:
"A miscigenação está na ordem do dia: brancas com negros e brancos com negras. A idéia de mistura tem sido manipulada pela mídia, imprensa, tv, rádio etc, como uma prova de que não existe racismo e nem discriminação racial. Muitos negros e negras têm pego carona em tal discurso e afirmam que quando rola o amor é o que vale. Sendo assim, temos assistido a cada dia um número "privilegiado" de casais que têm se unido para "clarear" as futuras gerações. Este fato tem contribuído para desaparecimento da família negra e modificado certos valores entre negras e negros."
Ultimamente a juventude preta militante tem discutido em alguns fóruns sobre relacionamentos, e recusado participar destas relações inter-raciais como forma de afirmação e prática de vida africana. Exemplo disso na Bahia o Grupo Mídia Étnica criou o dia: Beije sua preta ou seu preto.

- Quase duas décadas depois, o Instituto de Mídia Étnica está reativando essa campanha, denunciando o estereotipo de casais negros nos meios de comunicação, criticando a nossa invisibilidade nas propagandas e criando elementos para elevação da auto-estima de homens e mulheres pret@.
Participe de nosso “beijaço”: dia 12 de junho às 17h30 no Passeio Público.

Os jovens do CNNC/BA e da Igreja Preta (COPTAZION) se orgulham pelas suas namoradas e namorados pretos.
Kefing Foluke no livro Afro-Reflexões, também discorreu sobre a temática:
“O homem e a mulher negra precisam se reencontrar fora da senzala e reconstruir no útero do ser negro um novo relacionamento de respeito e amorosidade, lembrando sempre que somos frutos de um amor depreciativo formulado nas senzalas da escravidão. Não estamos mais abandonados e jogados na fétida senzala de amores depreciativos, por isso não devemos ter medo de amar. O amor deve ter início na auto-afirmação do ser negro, assim redescobriremos à vontade de sentir profundamente a intensidade de um beijo bem gostoso entre uma negra e um negro.”
Segundo o membro da Igreja Preta - COPATZION-(Comunidade Pan-africanista de Tzion) José Raimundo, ativista pan-africanista, ratificando o posicionamento do CNNC, acrescenta que essa falsa democracia racial no Brasil é tão forte que influenciou as relações afetivas no próprio movimento negro; exemplo disso é que um dos maiores expoentes do Movimento Negro, o nonagenário Abdias do Nascimento, apesar de tentado desconstruir o mito da democracia racial, possuí em sua prática afetiva um relacionamento com uma mulher branca, sendo um dos grandes vacilos que marcará a sua trajetória.Pois num país que tem como sistema de dominação uma política intensa de mistura entre raças, a ação mais enérgica e reacionária que um militante do movimento negro pode ter é manter relacionamentos com pessoas de sua própria espécie, ou seja, pretas. Isso, aliás, não é só reacionário, num país como o Brasil, isso chega ser uma arma revolucionária contra a dominação racial.
Por fim, que nós pretas e pretos saíamos da escravidão mental que nos aprisiona, abandonemos a contemplação daqueles que descendem dos escravizadores, não nos permitamos vivenciar a “Síndrome de Estocolmo” e busquemos o amor entre as pessoas africanas: o amor preto. Pois, para preservação da nossa história, cultura, valores e legados é necessário preservarmos a integridade do nosso povo através da reconstituição / reconstrução de famílias pretas. É necessário dizermos não a miscigenação racial.

Richie Stephens - where is the love

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